Dra. Jéssica Elisa Riviera

A sensação de azia após uma refeição pesada é algo comum, mas quando afeta a qualidade de vida, o sono ou é muito frequente pode indicar doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). A DRGE afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Ainda assim, muitos convivem com sintomas durante vários anos e não procuram auxílio médico.

O que é a doença do refluxo gastroesofágico?

A DRGE é o retorno do ácido do estômago para o esôfago, causando irritação e sintomas como queimação e regurgitação.

O esôfago é um órgão em forma de tubo em que o alimento passa até chegar ao estômago. Entre esses dois órgãos existe o esfíncter esofágico inferior, que é uma espécie de válvula que impede que o alimento volte.

Quando essa válvula não tem um funcionamento adequado, o ácido do estômago sobe para o esôfago causando sintomas como azia e queimação.

O que é importante entender:

  • A doença do refluxo acontece quando os sintomas são frequentes ou geram lesões no esôfago.
REFLUXO, AZIA, QUEIMAÇÃO

Por que o refluxo acontece?

A doença do refluxo pode ser causada por uma combinação de fatores como:

  • Esfíncter esofágico inferior relaxando de forma inadequada ou fraco
  • Hérnia de hiato
  • Aumento da pressão dentro do abdome em casos como:
    • obesidade, refeições volumosas, roupas apertadas, gravidez.
  • Esvaziamento mais lento do estômago
  • Hábitos alimentares como excesso de café, chocolate, fumar, refeições muito gordurosas, ingerir bebidas alcóolicas.

Quais são os sintomas mais prevalentes na DRGE?

  • Sensação de queimação no estômago que sobe em direção a garganta
  • Sensação de queimação no peito principalmente após as refeições ou ao deitar
  • Gosto amargo/ácido na boca
  • Tosse ou irritação na garganta
  • Rouquidão
  • Sensação de pigarro principalmente pela manhã
  • Dor no peito

A doença do refluxo pode se apresentar de diferentes formas:

  • Esofagite: quando o ácido do estômago gera lesões visíveis na mucosa do esôfago, vistas no exame de endoscopia
  • Refluxo sem lesões visíveis: quando a endoscopia está normal, mas o paciente tem sintomas, isso não quer dizer que o refluxo não exista.
  • Hipersensibilidade esofágica: quando pequenas quantias de refluxo fazem o esôfago reagir de forma exagerada
  • Pirose funcional: quando não há refluxo significativo nos exames, mas os sintomas são semelhantes ao refluxo.

Quais complicações podem ocorrer quando o refluxo não é tratado?

Quando se convive com o refluxo por anos sem procurar auxílio médico, podem ocorrer diversas complicações como:

  • Esofagite: Inflamação do esôfago devido à pela exposição repetida ao ácido.
  • Estreitamento do esôfago:  devido a inflamação crônica, pode ocorrer cicatrização e consequente estreitamento do esôfago, gerando dificuldade para engolir.
  • Esôfago de Barrett: Quando há exposição prolongada ao ácido pode ocorrer uma alteração no epitélio do órgão, aumentando o risco de câncer de esôfago.

Como confirmar o diagnóstico de refluxo?

Nem sempre será necessária a realização da endoscopia digestiva alta. O diagnóstico e a avaliação da necessidade de exames complementares serão avaliados durante a consulta médica, avaliando os sintomas e o histórico do paciente. Dependendo de cada caso, alguns exames podem ser necessários.

  • Endoscopia digestiva alta: Permite visualizar o esôfago, o estômago e o duodeno.
  • pHmetria esofágica: é um dos meios mais precisos para confirmar o diagnóstico de refluxo.
  • Manometria esofágica: útil principalmente antes de cirurgias para refluxo.

Quando geralmente é indicada a realização da endoscopia digestiva alta?

 O exame costuma ser indicado quando existem sinais ou sintomas de alarme:

  • Dificuldade para engolir
  • Anemia
  • Perda de peso sem explicação
  • Sintomas persistentes
  • Refluxo há muitos anos
  • Suspeita de complicações

A endoscopia ajuda a avaliar se existe inflamação no esôfago, hérnia de hiato ou esôfago de Barrett.

Como é o tratamento do refluxo?

Na maioria dos casos, é possível controlar a doença com o tratamento clínico. O tratamento envolve mudanças no estilo de vida e uso de medicamentos chamados de inibidores da bomba de prótons –IBP-  ou bloqueadores de ácido competitivos com potássio –PCAB os quais ajudam a aliviar sintomas, cicatrizar lesões e previnem complicações. Em poucos e casos individualizados, será necessário o tratamento cirúrgico.

Mudanças no estilo de vida:

Algumas medidas simples podem ajudar bastante:

  • Manter peso adequado
  • Evitar deitar logo após as refeições
  • Evitar refeições muito volumosas à noite
  • Reduzir álcool e cigarro
  • Elevar a cabeceira da cama
  • Dormir virado para o lado esquerdo
  • Reduzir alimentos como: café, chocolate, refrigerantes, frituras

Quando a cirurgia pode ser indicada?

A indicação de cirurgia precisa ser avaliada caso a caso. Em alguns pacientes, principalmente quando existe hérnia de hiato volumosa ou refluxo muito intenso e falha ao tratamento convencional, a cirurgia pode ser considerada.

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